BLOGUE PROFISSIONAL

Textos líricos e poéticos, poesias, fotografia, comentários e opiniões, música e outras continuidades.

segunda-feira, 25 de Setembro de 2006

Bom dia

Hoje acordei com uma vontade imensa de viver.
Levantei-me, fui até à janela, estava frio. Olhei-te... rua molhada pela chuva.
Não vi o sol mas não me importei. Sei que ele permanece na sua lida.
Hoje depertei para percorrer mais uma vez a minha ansia de viver... coscuvilhando cada momento que me é permitido acontecer.
Bom dia de novo...

http://www.kit.ntnu.no/~gry/gry3.html

sábado, 23 de Setembro de 2006

Chuva



A chuva cai...
A chuva, hoje, na minha janela bate.
Chuva vai
em minha alma
que assim se acalma.
Chuva lembra-me o teu nome!
Já me esqueci...
da voz,
do olhar,

do cheiro,

das mãos ao acordar

apertando o meu sonho.
Chuva leva-me contigo

por essas ruas aguadas.

A lavar os passos aos pobres

que por aí andam à toa.
Chuva cai...

o silêncio no luar se entoa.
Lava a minha janela de pó feita
E encontra-me mais uma vez

na tua rotina perfeita...



Márcio Silva Lisboa, 23-9-2006

http://pracadarepublica.weblog.com.pt/fotografia

quinta-feira, 21 de Setembro de 2006

Excerto da minha futura obra literária 1 ...

"(...) Pensar ou afirmar que parece ser um louco é já de si uma ofensa. Prefere dizer que o “trabalho de um pescador depende do desafio que é enfrentar o mar mesmo este não sendo ainda descoberto pela claridade”. Prefere ser forte e belo para exibir-se ao sol ou à chuva do que a qualquer pretendente que ronde o seu espaço na condição de se deliciar com a sua doce presença. Prefere ser dono de si e da sua coragem sem ter que pedir a alguém se acha ou não bem.

E o jovem pescador assim navega. Alto e moreno. No rosto cintilam dois grandes olhos verdes e pestanudos. Rasgados como o raiar do sol do meio-dia. A boca carnuda e sempre húmida esboça um grande sorriso de atenção e bondade. Cabelo curto e de um louro… mais louro que a cor da praia. A pele sente-se queimada pelo sol. Uma pele nua, aveludada pelo esforço do trabalho e gentilmente desenhada pelos músculos bem salientes. Da sua estatura pujante fazem parte uns braços fortes que se deixam descair pelos ombros largos. Mãos perfeitas e hábeis, com dedos grossos e gentis, que manejam sabiamente a rede e o leme. O peito aberto é definido por dois botões inevitavelmente indiscretos de tanta virilidade. O abdómen e o ventre soletram o esforço de um belo rapaz. Ondas douradas desenham-se pela cintura e vão-se escondendo por dentro dos calções rasgados da labuta no mar. As pernas arqueadas e imponentes suportam todo [seu] corpo cobiçado... Um corpo transformado em perfeição, tantas vezes procurado pelas raparigas desejosas de o terem. (...)"


Extraído da obra Martinho Romão

quarta-feira, 20 de Setembro de 2006

O filho de sua mãe



No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado
- Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece

Raia-lhe a farda o sangue
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos

Tão jovem! Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho unico, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe».

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve
Dera-lhe a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
"Que volte cedo, e bem!"
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto, e apodrece,
O menino de sua mãe.


Fernando Pessoa
1888 - 1935

terça-feira, 19 de Setembro de 2006

O choro da alma


Eu hoje chorei tanto...

Ás vezes penso em desistir de tudo o que consegui até agora. As falhas, os fantasmas intrusos, as vagas ideias e a incapacidade de ser feliz à nossa maneira.

Eu não sou um torturado! Disso tenho a certeza. Tão pouco serei uma vítima. Não sou nada disso mas... de facto, hoje chorei toda a noite. Levantei-me do quarto escuro (a minha memória) e fui ao espelho e vi um monstro desfigurado. Estava tão vermelho como a cor do sangue...

Eu não quero chorar assim. Eu, na minha humilde opinião sobre mim, não mereço chorar... nem preciso!

Amigos traem... não quero isso!

Eu não traio ninguém. Eu vivo para ajudar os outros. Eu gosto de ajudar os outros SEM COBRAR NADA! Estás a ouvir amigo estranho!?

Eu hoje chorei muito. Tanto que até me dói a garganta. Nunca fui tão mal interpretado. Eu não sei o que pensar, o que dizer, o que fazer... eu só sei que fui inequivocamente muito amigo...

E foi por ser tão amigo que fiquei rotulado por estar a cobrar...

EU NÃO COBRO AMIZADES...

Se aqui todos cobram? Se é isso que pensas que todos fazem contigo? Eu não o faço...

Mas decerto nunca sofreste como eu já sofri. Por isso desconfias de todos e dizes que te cobram tudo.

Tudo isto é verdade e é por tudo isto que agora me deito e vou continuar a chorar...

segunda-feira, 18 de Setembro de 2006

Excerto da minha futura obra literária...


(...)"Sim é verdade… beber a ideia que ele [sol] parte mas volta depois sempre pela mesma razão. Já reparaste que também assim poderia acontecer nas vidas de cada um. Ter-mos alguém que sabemos que parte mas que no outro dia volta sempre pela mesma razão… a de nos amar e fazer feliz. Seria tudo tão mais fácil… tão mais belo.

Sabes, [], uma vez disseram-me que eu não deveria nunca olhar para trás e sentir pena do que não fiz ou fiz de bem ou errado. Que o arrependimento nunca se deve sobrepor aos actos, sejam eles quais forem. E disseram-me numa ocasião muito especial. Partir e voltar são passagens que acontecem frequentemente. Se bem me constou estavas a referir-te ao caso de duas pessoas que se amam. Certo!?"(...)

Extraído da obra Martinho Romão

domingo, 17 de Setembro de 2006

Castelo de Almourol




Eis o castelo mais belo de portugal.

Nunca me vou esquecer do arrepio que senti quando, ao dar a curva da estrada, avistei-te pela primeira vez no teu semblante esconderijo secular.

Tão adormecido no meio do rio. Com pedras pesadas de sono deitadas a teus pés. História e mais história neste imenso tempo de histórias.

Juntos partilhámos o mesmo sentimento de sermos belos e solitários. E as pesadas pedras são como as pessoas que se envoltam sobre meus pés... e o rio é como o meu caminho... eu sigo devagar e vou deixando para trás os pedaços que me atormentam.

A minha erosão fatal para quem não quer navegar em mim...

És de facto o castelo mais belo de portugal...

Tudo se confunde



Eu vou chorando
Por estas ruas,

Por entre abalos de vozes
Que se confundem
E não se entendem.

E eu vou… perdido,

No meio de vontades

Ainda por surgirem.

E vou concluído
Que aqui ninguém vive…
Ninguém ama
Ninguém sorri
Ninguém é feliz.
E vou sentindo ás vezes
O calor das tuas mãos…
Minha alma ressentida.

Márcio Silva
17 de Setembro de 200
6

A noite daqui



Cheguei a casa...
As luzes apagadas sao iguais ao que sinto.
Cheguei da noite... está tarde! Lá não havia ninguém para olhar. Todos olham quando não queremos que olhem. E quando olhamos não há nada ali. Mas não me lamento pois sou maior do que todos. Para mim eu sou maior.
Aqui.. só a minha opinião conta...
Somente a minha opinião.
Cheguei a casa... e lá estavas tu...
Até amanhã.
Dorme bem.
Bons sonhos
Adoro-te

sábado, 16 de Setembro de 2006

Um dia...


Muitas são as fotografias que tiramos... Muitas são que nem as podemos ver... ou seja... muito más mesmo. Outras são que até nem sabemos como ficamos tão bem. Mas penso que um bom fotágrafo faz maravilhas. Obrigado Joana por me teres posto tão elegante ;)

São Jorge, Açores


Doce Mar


Oh doce MAR das Ilhas…

MAR de azul… em teus olhos posto.

Oh minha alma cheia de ti

E de mim ao mesmo tempo.

MAR de prata e ouro

Nas tardes inigualáveis do meu ser…

Feito de ti… oh MAR da minha calma.

Perfume de alga,

Som de ondas que surpreende

A solidão das rochas deitadas por aí.

Oh MAR da infância ansiada,

Das noites de espera de alguém,

Das eternas melodias cantadas

Ao meu ouvido… por ele…

O vento o meu corpo desejando.

Oh MAR da minha vida,

Voz prolongada do teu beijo.

És a alma cheia de mim!

E não o negues…

Será melhor assim.




Márcio Silva,

10 De Março de 2006

Um pouco mais de mim


VIVER




Eu posso ter quem quiser,
Quem me dá amor ou não.
Eu posso dizer que gosto…
Que sonho e faço o bem ou não.
Eu posso sorrir, chorar
Ou ser mais do que sou…
Eu posso respirar outro ar.
Ter na mão outras mãos.
Posso gritar com o vento,
Dar a conhecer ao mundo
O fôlego do meu nome.
Posso correr como o rio,
Voar como o pássaro
E brilhar como o sol…
Ser qualquer dia um só.
Voltar, partir ou ficar.
Eu posso dar voltas e mais voltas
Mas sou sempre aquele que vês
No ténue ciclo da vida…
E vivo e morro de vez em quando
Pelas estranhas e óbvias passagens
Que existem por aí ou por aqui.
Se eu preciso de ti ou de mim
Não digo que não pode ser.
Posso negar ou aceitar,
Pegar ou largar,
Mas sou sempre aquele que vive
Vivo!
Simplesmente como nós todos
O vício de viver a vida…
Sem lhe poder mudar o conceito.


Márcio Silva
São Jorge, 10 de Abril de 2006

Chegar aqui e começar...


Chegar aqui e não saber como isto funciona é para mim uma alegria imensa...
Porque é mais um motivo para eu descobrir coisas novas...
Mais um motivo par distrair a cabeça cansada do reboliço desta cidade...