BLOGUE PROFISSIONAL

Textos líricos e poéticos, poesias, fotografia, comentários e opiniões, música e outras continuidades.

sábado, 9 de Dezembro de 2006

Atrás de mim eu vou


Vivo furiosamente à procura de quem sou. De mim.

Vivo incansavelmente à espera de me encontrar. E todos os dias me vejo em frente ao espelho e dou de caras sempre com outro alguém. Sou eu… Eu sei! Mas estou indefinido. Sempre a mesma cara com expressões diversas. De gentes que me fazem no dia a dia. De momentos que vivo por aí e por aqui.

Vivo desesperadamente atrás da minha sombra. Tento descobrir quem me merece. Quem me ama. Quem me quer. Quem me estenderá a mão no dia que acontecer a minha auto descoberta? Cairei? Seguirei em frente? Ou voltarei atrás para apanhar o que não colhi em tempos e deitei fora…

Vivo permanentemente testando tudo e todos. Vivo demais a vida ou finjo-me de morto. Não faço por mal. Apenas anseio acreditar que ainda existe alguém que me pode ver sorrir verdadeiramente. E vivo cada vez mais. Mesmo que na minha atitude poucos me entendam… ou melhor, quase ninguém me consegue entender. Esquecimento. Sou passagem breve pela vossa vida imperfeita e de quase nada feita.

Vivo! Apenas isso. Na linha transparente daquilo que sou, falo de coisas que ninguém fala, enfrento coisas que ninguém enfrenta, sinto coisas que ninguém sente, ouço coisas que ninguém ouve, sofro por quem sofre demais e escrevo o que mais ninguém escreve.

E vou vivendo na ténue marca dos meus passos coisas que muitos ainda não viveram. Coisas que muitos morrerão sem saber ter vivido a sério a única vida que aqui tiveram.

No mundo de todos nós e de ninguém ao mesmo tempo.

Lisboa, 19 De Outubro de 06

quinta-feira, 7 de Dezembro de 2006

Eu Espero

Doce.
Timidez latente.
Olhar vago…
Procuro o que é teu
Mas não te descubro.
Será diferente
O mundo que nos faz?
A manhã vem de novo.
O dia nasce sem sol
E o teu olhar olha-me…
Vago…
Azul mas sem cor aparente.
Qualquer coisa surge
Mas esconde o que não se diz.
E por dizer fica-se assim…
Sem falar mais uma vez
Digo amanhã… talvez.

Mas apenas se quiseres.
Eu estou aqui…
Como sempre, de braços abertos
Para te receber no meu mundo
Cheio de sol e paz.
Se te lembrares, vem!
Eu espero por ti aqui.
Mais um vez… eu espero.

Lisboa, 5 de Novembro de 2006