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sexta-feira, 16 de março de 2007

Eterna Companheira



Fugi ao acaso pelas ruas desconhecidas da vida. Aquela que queria conhecer mesmo sabendo que corria o risco de sofrer. Fugi aos medos. Ou melhor… deixei-os para trás. Se olhar já não os vejo. Viajo sozinho e é melhor assim.

Larguei a âncora em minha defesa. O meu navio navegará o resto dos dias sem passado pesado de angústia. Sem âncora. Sem leme. Sem bússola.

Peguei na memória em lista de espera. Já estava cansado de esperar. E lá ficaram aquelas outras raízes ao frio e á deriva.

Fechei de penas as minhas escolhas predefinidas. Escolhas tortas e enjeitadas. Fechei de penas para não magoar mais as feridas quase fechadas.

Juntei as lágrimas. Reti nos olhos a reserva ainda por sentir. Eu preciso dela. Sempre precisarei. Chorar faz de mim um sobrevivente soberbo perante uma multidão que veste capa de estranheza e indefinição. E quanto mais usar as minhas lágrimas mais eu deixarei para trás quem não me é útil. E serei cada vez mais feliz.

Prendi ao meu futuro uma linha de cor transparente. Ninguém a vê. Só se sente. Quem a sentir estará comigo no meu caminho. Fartei-me de ouvir dizer gosto de ti só porque o meu corpo era palpável como um cacho de uvas brancas. Maduras demais. Eu não quis ser tocado mas sim sentido. Amado…

Levei até ao meu cais cinzento um monte de coisas velhas e bolorentas. Um dia conheci um peixe que comia tudo o que era mau. Chamei-lhe o peixe reciclador. E ele engoliu de uma vez só os sons, as imagens, os dramas, as marcas de sofrimento e o meu triste mundo vadio. E o meu peixe reciclador desceu ao fundo do mar e voltou para me dizer que era o peixe mais feliz do oceano inteiro.

O mar. Sempre será o mar o meu melhor silenciamento. Contigo eu vou, contigo eu venho. Sobre ti navego sem pisar a tua cristalinidade. Azul ou cinzento, verde ou branco, sempre te farei meu irmão. Aquele que nunca tive e que um dia chorei por não poder ter.

São ilhas a minha cabeça, pedaços da tua alma o meu espírito. Alma a minha terra bêbeda de pureza e paz. Pássaros soltos ao som da fria chuva e das montanhas misteriosamente inalcançáveis.

E tudo é um dia de cada vez. Onde vivo demais e anseio sempre mais. De mãos dadas a ti eu jamais pecarei por me penalizar. A ti eu sei que posso confiar os meus destinos traçados. Contigo eu posso partilhar o meu mundo. Só tu me ouves e não me queixo por isso. Só tu me acaricias e não me lamento por isso.

E à noite, quando me deito a teu lado, quando coloco a cabeça no travesseiro, sei que posso fechar os olhos e adormecer tranquilamente com a tua mão a tocar o meu rosto e a minha alma. E sentirei as tuas mãos para sempre junto de mim e dos meus sonhos.

Mesmo que sejas tu, Solidão, essa minha eterna companheira, eu ser-te-ei sempre solidário. O meu renovado coração aprendeu contigo a voar… neste meu novo paraíso que eu trago no olhar e também no meu sorriso.

17 de Outubro de 2006

http://oblogdorapaz.blogs.sapo.pt/arquivo/2005_02.html


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