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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Enquanto


Quando as janelas se abriram na penumbra fugaz do teu rosto lavado em paz.
Quando os gritos das folhas trémulas se esbateram ao clamor do vento celebre.
Quando as mãos das pequenas pedras do caminho da saudade se uniram num só
e as demais situações tristes em nós resolveram começar e terminar por lei.

Eu não procurei o conforto nem o aperto dos teus intermináveis braços sem cor.
Eu não pedi a tua manhã com raios de sol ensonados nos lençóis em nós deitados.
Eu não senti o que tu sentiste quando pela porta da separação a solidão entrou.
Então diz-me... bocado de mel e fel amedrontado! O que esperas de mim então?

Por mais que a lua brilhe entre os montes, os corpos e as leves carícias sem jeito.
Por mais que os olhos no olhos se confundam no tolo turbilhão dos teus sentidos.
Por mais que as soltas palavras voem como pássaros assustados na tarde vadia.
Por mais que me queiras, enquanto fores assim, o nosso desejo não terá um início

Mas sim um eterno e descontinuado fim.

Por Márcio Silva

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