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Domingo, 15 de Novembro de 2009

O templo



A vida ensinou-me que sonhar é bom। A vida ensinou-me que sorrir é das coisas mais sublimes que podes sentir. A partilha. O desejo de ser feliz e de mesmo ter aquele tal sorriso quando não existe razão para tal.

A vida mostrou-me sempre que devemos olhar à volta e poder sentir o poder e a força que temos nos outros e em nós próprios. Ensino-me que para se ser feliz é preciso abraçar. Não magoar. Que para se ser mais completo é necessário olhar no olhos do outro e dizer - eu estou aqui para ti. Sou teu!

A vida também me ensinou que os bons momentos devem ser vividos ao mais pequeno pormenor. Que a busca constante dos sorrisos e da certeza de que gostamos deve ser constantemente alimentada.

Eu faço assim. E até sou feliz sabes. Apesar de tudo… eu sou feliz à minha maneira. Aprendo com os erros mas fico sempre mais forte quando caio do empurrão que a vida ou os outros me dão.

A vida ensinou-me a guardar as coisas boas. As vulgares não interessam. E em cada dia que passar tentar encontrar aquela passagem mais ou menos. E recordar as palavras.

Eu tenho um tesouro. A minha alma. O meu mundo. A minha maneira de ser que a uns agrada mas a outros não. Não me ralo com a condição. Afinal cabemos todos no mesmo mundo. Mas por vezes cedemos e é a própria vida que nos prega partidas.

Todos os momentos contigo estão aqui guardados… no meu coração que não é de ninguém e ao mesmo tempo tantos o conhecem. Mal, mas por cá passam.

E na minha bagagem. Na grande bagagem do meu mundo partilhado, vê aquilo que eu carrego. O que deixaste. O que deste.

A primeira visão no metro
O encontro
O sorriso ao luar, na praça. Lembraste?
A descoberta
O carisma
O templo
A primeira noite
As manhãs de amor
A boca na boca
As mãos nas mãos
O cheiro
O cabelo
O secreto
A paixão
Os dois corpos
Os olhares
O respirar ao dormir
A cor
O abraço
O cinema paradiso
Malena
As primeiras letras escritas
As palavras
O desenho
O meu retrato
O primeiro passeio
O beijo ás escondidas
A primeira rosa
As esperas ao sair do trabalho
O parque
O polvo e a concha flutuante
O fogo
As gargalhadas
O isqueiro
O garfo
O japonês
O cinema
O banco no jardim da estrela
À chuva debaixo do guarda-chuva
O eléctrico
A partilha nos projectos
O perfume
A roupa guardada e partilhada
A dedicatória
O beijo no alto do jardim
A praça de touros
A noite no bairro
As fotos
Os planos
A ponte
A tua casa
A gata
A tua cama
O coração de papel
A flor eterna… vermelha
A praia
O primeiro beijo em público
O beijo atrás da árvore
O abraço

E no final

O dia em que tu me deixaste. O que não posso esquecer.
O momento mais triste de todos os momentos que já senti, pois foste alguém que me deu muito a nível de sentimentos. Gostaria de enumerar muito mais; temo que nunca mais acabaria a conta.

A vida ensino-me a ser sensível, dócil, a pensar com o coração mas ser sempre cauteloso.

Um dia, no meu percurso, ao passar pela porta da felicidade, eu encontrei-te, sorri-te e abracei-te no meu mundo. Levei-te um pouco pelo meu caminho não muito largo mas que até tinha espaço para nós os dois. Só é pena que eu me tenha esquecido que há outros caminhos melhores para ti e quando eu passei pela porta do mundo cá fora, eu olhei-te, sorri-te e disse-te adeus.

A vida ensinou-me a seguir sozinho. A vida é dura de verdade. Conselheira mas dura. Tenho a certeza que foste bem-vindo aqui. Eu acolhi-te no meu templo com toda a minha paixão. É com dor que te vejo partir mas é também com conforto que sei que um dia te pude conhecer e partilhar contigo o que de bom eu tenho para dar. Pena que na verdade não tenha sido o suficiente.

Mas é a vida assim e eu vou continuar. Vou seguir. Com a grande bagagem dos meus sentimentos.

Eu vou… mas olha! Não te esqueças de viver os dias um a um. E se puderes ser mais feliz… sê! Não falhes mas também peço-te… não te atires de cabeça, pensa no outro, pensa na vida e no que ela ensina, pensa profundamente no teu coração mas também no coração do outro.

Pensa, quando estiveres angustiado, neste que um dia conheceste e abraçaste tão terno e docemente. Verás que me compreenderás como um dia eu soube compreender-te.

Não queiras ter nas mãos o mundo. Ele é grande demais. Basta teres o teu. Não queiras a perfeição. Ela mente-te. O resto? Vive! Apenas isso! Amanhã é outro dia.


Partindo, por fim
Márcio

Sábado, 7 de Novembro de 2009

Sobre todas as vidas



Quem sente demais sofre.

Vive inconstante da alma

E em constante solidão,

Choro do coração…

Lágrima de sal ao chão.


Quem sente demais é nobre!

Mesmo de mão vazia

Consegue sentir sem ser

Um desejo de um outro qualquer,

Um abraço ou o que vier.


Quem sente demais não morre…

Vive eterno nas mentes.

Sementes que se germinam,

Que aos poucos se dominam

E a todos se entregam।