BLOGUE PROFISSIONAL

Textos líricos e poéticos, poesias, fotografia, comentários e opiniões, música e outras continuidades. (Redigido sob a lei do Acordo Ortográfico)

Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos

Todos os textos poéticos e líricos, pensamentos e frases, presentes neste blogue, estão registados e protegidos pelo DIREITO DE AUTOR. Não utilizar os mesmos sem identificar antes o seu o autor.


sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

100 Ideias




A emoção em cada gesto. É assim que vejo o que cada actor da peça fez com toda a delicadeza. Uma teatralização sem falas. O gesto, o movimento, a sintonia das diversas situações, o peculiar de cada cena usando a luz, a sombra, os objectos, a cor, as expressões faciais, a roupa, a música.

Passagens do dia-a-dia que me fizeram pensar no momento. Imaginei tudo através do representado pelos personagens. Deixei que o meu imaginário fluísse pela plateia abaixo e relaxei os olhos perante o palco. Vislumbrei em cada situação acontecida.

Ao entrar para a sala os actores estão dispostos em diversos lugares no palco. Olham-nos fixamente. Até incomoda a seriedade. Revelam um sentido de respeito. Querem que nos sentemos. As luzes apagam-se e o silêncio dá o início. Olhos no vago e de repente começa a cena. O primeiro impacto é com expressões que nos olham. Transformam-se em alegria. Acenam-nos e fazem de nós os conhecidos que vemos na rua e cumprimentamos exageradamente. É realmente caricato. Tomei para mim e vi o que, provavelmente, por vezes faço na realidade quando avisto alguém que não vejo à muito tempo.


26 de Janeiro de 2007

sábado, 9 de dezembro de 2006

Atrás de mim eu vou


Vivo furiosamente à procura de quem sou. De mim.

Vivo incansavelmente à espera de me encontrar. E todos os dias me vejo em frente ao espelho e dou de caras sempre com outro alguém. Sou eu… Eu sei! Mas estou indefinido. Sempre a mesma cara com expressões diversas. De gentes que me fazem no dia a dia. De momentos que vivo por aí e por aqui.

Vivo desesperadamente atrás da minha sombra. Tento descobrir quem me merece. Quem me ama. Quem me quer. Quem me estenderá a mão no dia que acontecer a minha auto descoberta? Cairei? Seguirei em frente? Ou voltarei atrás para apanhar o que não colhi em tempos e deitei fora…

Vivo permanentemente testando tudo e todos. Vivo demais a vida ou finjo-me de morto. Não faço por mal. Apenas anseio acreditar que ainda existe alguém que me pode ver sorrir verdadeiramente. E vivo cada vez mais. Mesmo que na minha atitude poucos me entendam… ou melhor, quase ninguém me consegue entender. Esquecimento. Sou passagem breve pela vossa vida imperfeita e de quase nada feita.

Vivo! Apenas isso. Na linha transparente daquilo que sou, falo de coisas que ninguém fala, enfrento coisas que ninguém enfrenta, sinto coisas que ninguém sente, ouço coisas que ninguém ouve, sofro por quem sofre demais e escrevo o que mais ninguém escreve.

E vou vivendo na ténue marca dos meus passos coisas que muitos ainda não viveram. Coisas que muitos morrerão sem saber ter vivido a sério a única vida que aqui tiveram.

No mundo de todos nós e de ninguém ao mesmo tempo.

Lisboa, 19 De Outubro de 06

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Eu Espero

Doce.
Timidez latente.
Olhar vago…
Procuro o que é teu
Mas não te descubro.
Será diferente
O mundo que nos faz?
A manhã vem de novo.
O dia nasce sem sol
E o teu olhar olha-me…
Vago…
Azul mas sem cor aparente.
Qualquer coisa surge
Mas esconde o que não se diz.
E por dizer fica-se assim…
Sem falar mais uma vez
Digo amanhã… talvez.

Mas apenas se quiseres.
Eu estou aqui…
Como sempre, de braços abertos
Para te receber no meu mundo
Cheio de sol e paz.
Se te lembrares, vem!
Eu espero por ti aqui.
Mais um vez… eu espero.

Lisboa, 5 de Novembro de 2006

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Arte...


ARTE.
Passos vadios na estrada, sem que ninguém veja de quem são. De quem é. Verde, azul, vermelho, amarelo. Todas as cores. Fazer o arco-íris na palma da mão e nascer a tela, a pedra, o corpo, o mundo. Entupir de sabedoria os cantos sibilantes do que é genuíno, genial. Original. Preencher de luz, água, fogo, terra e ar o que ainda não existe.
Arte é por tudo e nada o EU. O que pode ser meu e teu em igual parte. Sem ser definido da mesma forma. É parar e soletrar as silhuetas do
Mar
Rio
Vento
Campo
Montanha
É o surgir do urgente em que todos participam sem saber bem porquê.
Á apenas fazer arte…
Seguir…
Em passos vadios na estrada. (ponto)

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Bom dia

Hoje acordei com uma vontade imensa de viver.
Levantei-me, fui até à janela, estava frio. Olhei-te... rua molhada pela chuva.
Não vi o sol mas não me importei. Sei que ele permanece na sua lida.
Hoje depertei para percorrer mais uma vez a minha ansia de viver... coscuvilhando cada momento que me é permitido acontecer.
Bom dia de novo...

http://www.kit.ntnu.no/~gry/gry3.html

sábado, 23 de setembro de 2006

Chuva



A chuva cai...
A chuva, hoje, na minha janela bate.
Chuva vai
em minha alma
que assim se acalma.
Chuva lembra-me o teu nome!
Já me esqueci...
da voz,
do olhar,

do cheiro,

das mãos ao acordar

apertando o meu sonho.
Chuva leva-me contigo

por essas ruas aguadas.

A lavar os passos aos pobres

que por aí andam à toa.
Chuva cai...

o silêncio no luar se entoa.
Lava a minha janela de pó feita
E encontra-me mais uma vez

na tua rotina perfeita...



Márcio Silva Lisboa, 23-9-2006

http://pracadarepublica.weblog.com.pt/fotografia

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Excerto da minha futura obra literária 1 ...

"(...) Pensar ou afirmar que parece ser um louco é já de si uma ofensa. Prefere dizer que o “trabalho de um pescador depende do desafio que é enfrentar o mar mesmo este não sendo ainda descoberto pela claridade”. Prefere ser forte e belo para exibir-se ao sol ou à chuva do que a qualquer pretendente que ronde o seu espaço na condição de se deliciar com a sua doce presença. Prefere ser dono de si e da sua coragem sem ter que pedir a alguém se acha ou não bem.

E o jovem pescador assim navega. Alto e moreno. No rosto cintilam dois grandes olhos verdes e pestanudos. Rasgados como o raiar do sol do meio-dia. A boca carnuda e sempre húmida esboça um grande sorriso de atenção e bondade. Cabelo curto e de um louro… mais louro que a cor da praia. A pele sente-se queimada pelo sol. Uma pele nua, aveludada pelo esforço do trabalho e gentilmente desenhada pelos músculos bem salientes. Da sua estatura pujante fazem parte uns braços fortes que se deixam descair pelos ombros largos. Mãos perfeitas e hábeis, com dedos grossos e gentis, que manejam sabiamente a rede e o leme. O peito aberto é definido por dois botões inevitavelmente indiscretos de tanta virilidade. O abdómen e o ventre soletram o esforço de um belo rapaz. Ondas douradas desenham-se pela cintura e vão-se escondendo por dentro dos calções rasgados da labuta no mar. As pernas arqueadas e imponentes suportam todo [seu] corpo cobiçado... Um corpo transformado em perfeição, tantas vezes procurado pelas raparigas desejosas de o terem. (...)"


Extraído da obra Martinho Romão

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

O filho de sua mãe



No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado
- Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece

Raia-lhe a farda o sangue
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos

Tão jovem! Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho unico, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe».

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve
Dera-lhe a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
"Que volte cedo, e bem!"
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto, e apodrece,
O menino de sua mãe.


Fernando Pessoa
1888 - 1935

terça-feira, 19 de setembro de 2006

O choro da alma


Eu hoje chorei tanto...

Ás vezes penso em desistir de tudo o que consegui até agora. As falhas, os fantasmas intrusos, as vagas ideias e a incapacidade de ser feliz à nossa maneira.

Eu não sou um torturado! Disso tenho a certeza. Tão pouco serei uma vítima. Não sou nada disso mas... de facto, hoje chorei toda a noite. Levantei-me do quarto escuro (a minha memória) e fui ao espelho e vi um monstro desfigurado. Estava tão vermelho como a cor do sangue...

Eu não quero chorar assim. Eu, na minha humilde opinião sobre mim, não mereço chorar... nem preciso!

Amigos traem... não quero isso!

Eu não traio ninguém. Eu vivo para ajudar os outros. Eu gosto de ajudar os outros SEM COBRAR NADA! Estás a ouvir amigo estranho!?

Eu hoje chorei muito. Tanto que até me dói a garganta. Nunca fui tão mal interpretado. Eu não sei o que pensar, o que dizer, o que fazer... eu só sei que fui inequivocamente muito amigo...

E foi por ser tão amigo que fiquei rotulado por estar a cobrar...

EU NÃO COBRO AMIZADES...

Se aqui todos cobram? Se é isso que pensas que todos fazem contigo? Eu não o faço...

Mas decerto nunca sofreste como eu já sofri. Por isso desconfias de todos e dizes que te cobram tudo.

Tudo isto é verdade e é por tudo isto que agora me deito e vou continuar a chorar...

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Excerto da minha futura obra literária...


(...)"Sim é verdade… beber a ideia que ele [sol] parte mas volta depois sempre pela mesma razão. Já reparaste que também assim poderia acontecer nas vidas de cada um. Ter-mos alguém que sabemos que parte mas que no outro dia volta sempre pela mesma razão… a de nos amar e fazer feliz. Seria tudo tão mais fácil… tão mais belo.

Sabes, [], uma vez disseram-me que eu não deveria nunca olhar para trás e sentir pena do que não fiz ou fiz de bem ou errado. Que o arrependimento nunca se deve sobrepor aos actos, sejam eles quais forem. E disseram-me numa ocasião muito especial. Partir e voltar são passagens que acontecem frequentemente. Se bem me constou estavas a referir-te ao caso de duas pessoas que se amam. Certo!?"(...)

Extraído da obra Martinho Romão