
Ondeiam as ondas tão vãs
Pelo mar carente do corpo.
Planaltos de bocas sãs
Que se viajam nas silhuetas
Da tua secreta melodia.
Procuram-se beijos
No espaço da solidão que sou…
Que me resta por onde vou.
Procuram-se carinhos
Sem que sejas aqui e agora.
Faço lágrimas por encomenda.
Não preciso reunir tão só
Tantas de uma só vez.
Pequenas, grandes ou não,
Gota a gota vêm do coração.
São minhas. São tuas.
São das mais puras de mim.
São galhos carunchosos,
Cansaço percorrido sem alma,
Raios metade de duas luas.
Percorre-me sonho vadio
Pois eu sou de ninguém.
Percorre-me como se fosses rio.
Como se fosses, levianamente,
Vários de mim sem o ser.




