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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O silêncio




Olhei para mim…
Vi que fui deixado
Na margem da minha solidão.
Do meu silêncio
Que sem coração nunca me abandonou.
Olhei para trás e perdi-me…
Memórias esmagadas contra mim
E o grito que nos separou.
Olhei para ti.
Olhei… não te vi aqui.
Soube que o sonho seria
Uma vez mais o meu alento.
Contigo eu fui Terra…
E no mar adentro
Procurei o meu eu.
Olhei para nós…
Não vi nada.
Peguei no sofrimento,
Na perdida angústia
E desprendi-me da nossa história.

Ouve o silêncio agora!
Mas ouve com atenção.
É nele que me irás encontrar
Com o mais que não soube dar.

sábado, 27 de junho de 2009

Transparente


Ás vezes penso que os meus dias poderiam ser diferentes ao teu lado.

Ás vezes sigo … outras fico. Outras, indeciso, pego nos cacos do que desfizeste e tento colar, um por um, até refazer-me na minha estrada. No meu trilho.

Não tenho medo de escrever. Eu sinto. Eu vivo. Tu não. Essa é a nossa eterna diferença. E tenho pena. Acho que poderias tentar compreender o que faço. O que grito. O que escrevo. O que penso. O que procuro no fundo das coisas. As coisas que tu, incapacitadamente, não consegues alcançar. E tenho pena sim…

A noite desceu.

Abre a janela… espreita pela escuridão. Vês-me? Não! Fugi na imensidão.

Aqui o meu tempo abriu-se e agora eu sou livre. De ti.

Sai no dia e abre a olhar. Vê! Eu sou o sol. Mas não sou só teu.

Nem tudo o que pareço sou.

Sou mais ser que parecer.

Sou transparente.


domingo, 31 de maio de 2009

UM PONTO FINAL

Eu morri para os meus sentidos.
Para as minhas palavras não ditas,
Para as minhas simples conquistas,
Eu morri para os meus sentidos.

Eu morri para a natureza.
Para os gestos do meu dia a dia
Para o meu choro de tristeza,
o meu sorriso, a minha alegria.

E eu morri finalmente...
Para mim. Estou cansado de viver
Para os poucos que aqui passaram.
Morri para ti. Não vou mais sofrer.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Nunca senti sem sal



Caíram lágrimas

Ate ao chão do meu coração.

Caíram solitárias

Porque te perderam algures

Na imensidão. Na imensidão.

Caíram secas…

Uma a uma aos meus pés

Para me castigarem

No meu mundo imperfeito

Mas que de tudo é feito.

Caíram salgadas

Porque nunca senti sem sal.

Quando tudo me deram

Apenas colhi para o meu mal.

Morri sem me ver vivo.

E caíram-me todas.

As lágrimas, as penas,

As dores, as guerras,

As derrotas, os medos

E a minha eterna solidão.


sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Mundos perdidos



Chorando…

Que pela tristeza da minha voz,

Me faz passar o frio

De não me poderes amar

Como eu queria que assim fosse।


Se não fosse a dor…

Que eu trago… agarrando

No fundo do meu coração

O meu peito que não existe.

O meu mundo deambulando।


Em sombras e sombras

De mundos perdidos

Que eu espero… e procuro.

O que não és eu sou.

E o que não tens… eu tenho।


E assim eu te sinto।

Assim te decoro

Nas frases feitas como o vento.

Nas tardes frias… como a chuva…

Chorando!



sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Trilhos sem rastilhos


Quando as estrelas colidirem
E o som do ar surgir no meu silêncio.
Fecharei os olhos… lentamente,
Até o coração se esquecer de mim.


Quando as ruas dos sonhos se cruzarem
E o labirinto sem saída ficar.
Pecarei de novo… com o corpo que sente
E o amor surgir, sem avisar.


Mas incansavelmente sem brio
Os meus trilhos só deixam rastilhos…
E são ilhas isoladas que ao frio
Me tomam por fraco e não por maior.


Quando as estrelas colidirem…
Umas nas outras contra todas as minhas leis.
Aí eu sei… não sinto as veias no corpo
Mas sempre o meu sangue a correr.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Story

Todas estas linhas cravadas no meu rosto
Contam a história de quem sou.
Tantas histórias de onde estive
E de como cheguei onde estou.
Mas estas histórias não significam nada,
Quando não se tem ninguém para as contar
É verdade... Fui feito para ti.

Escalei os cumes das montanhas,
Naveguei por todo oceano azul.
Cruzei todas as linhas e quebrei todas as regras
Mas quebrei-as todas por ti.
Porque mesmo quando eu estava sem nada
Fizeste-me sentir a pessoa mais rica do mundo.
Sim fazes. E eu fui feito para ti.

Vês este sorriso na minha boca?
Ele esconde as palavras que não querem sair.
E todos os meus amigos, que pensam que sou abençoado,
Nem imaginam que a minha cabeça é uma confusão.
Não, eles não sabem quem realmente eu sou.
Nem sabem o que já passei como tu o sabes
E eu fui feito para ti.