
Sou tarde para anoitecer. E no amanhecer adormeço. Olhos fechados para o tempo não me percorrer.
Chuva de sentidos descartados. Levianamente pronunciados.
Vozes esculpidas no tempo vadio mas que com o tempo se esquecem. Deixam de se moldar. E eu esqueço o som dessas vozes. Que passam por aqui. Que me cativaram em momentos. E eu esqueço-me...
Ando às voltas num mudo feito de tudo e nada.
Ando perdido e quero que assim seja.
Não me quero encontrar pois sei que seria mais um sítio para me deixar ficar... sem querer...
Talhei os passos pela estrada que sigo sem saber onde parar. Caminho perdido. Caminho indiferente ao pó das velhas recordações. Carrego-as comigo. São o meu fôlego para me embebedar nos meus sonhos por desvendar.
Ando às voltas sem me preocupar com que me possam criticar. Jogo na roda da vida com truques que acabo por aprender das vezes que perdi e não consegui.
Um pouco o percurso de todos.
E jogo na lição da vida e à volta de todos e ninguém.
Procuro no meio de todos o que para mim pode ser útil. O resto? O resto não faz parte de mim. Do meu sonho. Do meu projecto ainda por acabar.
Ando perdido na selva. De sentimentos. A minha que está intacta e é ainda um corpo fechado. Entre terra e ramos e fontes como quem fala de um corpo, membros e lágrimas, renasço a cada dia sem me redescobrir.
E é assim que eu sou. Como eu quero ser. Surpreender-me e superar-me como o sol em todas as manhãs e a lua em todas as noite.
Intacto.
Ando escondido na minha selva. De sentimentos.
Paixões e ferimentos.
Sorrisos passageiros.
Olhos transparentes.
Ando até sempre na minha selva de sentimentos.
E permaneço
Intacto...





