BLOGUE PROFISSIONAL

Textos líricos e poéticos, poesias, fotografia, comentários e opiniões, música e outras continuidades. (Redigido sob a lei do Acordo Ortográfico)

Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos

Todos os textos poéticos e líricos, pensamentos e frases, presentes neste blogue, estão registados e protegidos pelo DIREITO DE AUTOR. Não utilizar os mesmos sem identificar antes o seu o autor.


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

As mãos que trago




Foram montanhas, foram mares,
Foram os números, não sei
Por muitas coisas singulares
Não te encontrei, não te encontrei
E te esperava, te chamava
Entre os caminhos me perdi
Foi nuvem negra, maré brava
E era por ti, era por ti!


As mãos que trago, as mãos são estas
Elas sozinhas te dirão
Se vem de mortes ou de festas
Meu coração, meu coração
Tal como sou, não te convido
A ir esperar onde eu for
Tudo o que eu tenho é haver sofrido
Pelo meu sonho alto e perdido
E o encantamento arrependido
Do meu amor, do meu amor!

Texto de Cecilia Merelles e Alain Oulma 

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Desmembrado




Perdi o coração
Seco... sem nada a dar.
Perdi do tempo a noção
Que pensei nunca acabar.
Perdi-me sem me encontrar.

Feri o meu sonho
Que em pó se desmembrou.
Deitei a sorte à vida
Num dia em que a alma chorou.
E o corpo para sempre mudou.

Juntei no mesmo corpo,
Cheio de liberdade,
O pouco que me resta ser.
Muita da minha saudade,
Nada que não mais vou ter.

Pedi à vida força
Para me poder levantar.
Não quero sentir-me acabar
Sem coração sem sangue
E uma alma que não me ouça...

Perdi o coração
Que antes, sempre a sangrar,
Olhava de frente o amor.
Deixei a solidão entrar...
Teimei. E nunca mais amei.


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Reconstrução




A vida...
Não a ganhamos prontinha e embrulhadinha com laços e fita como quem dá um presente.
A vida somos nós que a fazemos... que a construímos a cada dia, cada hora e cada segundo.
Perder a vontade de ser feliz é perder a vontade de progredir... o que é mau torna-se pior e quando nos damos conta... caímos no infortúnio e sem acreditar em mais nada.
A vida... é o melhor que nos aconteceu em certo dia.
Por isso vale a pena tentar vivê-la no maior desfrute e prazer.

 

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Janela grande



...
E em todas as noites,
Quando deitar o meu corpo,
Dormirei na serenidade da noite.
Num sonho eterno
Entrarei em ti,
Abrirei a janela grande,
E buscarei à lua
Todos os momentos vividos.
Um por um…
Eu voltarei para lá viver.
...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Manual de sobrevivência



Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.

Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso. Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas segundos para destruí-la, e que poderás fazer coisas das quais te arrependerás para o resto da vida. Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tens na vida, mas quem tens na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprendes que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebes que o teu melhor amigo e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobres que as pessoas com quem tu mais te importas são tiradas da tua vida muito depressa, por isso devemos sempre despedir-nos das pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.

Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que podes ser.

Descobres que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer ser, e que o tempo é curto. Aprendes que, ou controlas os teus actos ou eles te controlarão e que ser flexível nem sempre significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, existem sempre os dois lados. Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer enfrentando as consequências. Aprendes que paciência requer muita prática.

Descobres que algumas vezes a pessoa que esperas que te empurre, quando cais, é uma das poucas que te ajuda a levantar. Aprendes que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste e o que aprendeste com elas do que com quantos aniversários já comemoraste. Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que supunhas. Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são disparates, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.

Descobres que só porque alguém não te ama da forma que desejas, não significa que esse alguém não te ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, poderás ser em algum momento condenado.

Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que tu o consertes. Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperares que alguém te traga flores. E aprendes que realmente podes suportar mais... que és realmente forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor perante a vida!

As nossas dádivas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.


William Shakespeare

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Do mais belo que eu já li




ESTA VIDA NÃO VIVI!

ROMASI

(Rogério Martins Simões)



Será que na vida não vive

Quem na vida já viveu?

Ou será que terá vida

Quem nesta vida sofreu?

Eu que morri e que vivo

Dentro do mundo que passou:

Nos versos que não morrerão,

Após rasgar a vida,

Irão lembrar quem chorou

E esta vida não viveu.




1971

(Registado no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)



sexta-feira, 14 de maio de 2010

Selva de sentimentos



Ando perdido na corrida desenfreada. Abismo de metas por desvendar. Ando incompreendido entre as ruínas da solidão e as pedras soltas dum corpo por completar.
Sou tarde para anoitecer. E no amanhecer adormeço. Olhos fechados para o tempo não me percorrer.
Chuva de sentidos descartados. Levianamente pronunciados.

Vozes esculpidas no tempo vadio mas que com o tempo se esquecem. Deixam de se moldar. E eu esqueço o som dessas vozes. Que passam por aqui. Que me cativaram em momentos. E eu esqueço-me...

Ando às voltas num mudo feito de tudo e nada.
Ando perdido e quero que assim seja.
Não me quero encontrar pois sei que seria mais um sítio para me deixar ficar... sem querer...
Talhei os passos pela estrada que sigo sem saber onde parar. Caminho perdido. Caminho indiferente ao pó das velhas recordações. Carrego-as comigo. São o meu fôlego para me embebedar nos meus sonhos por desvendar.

Ando às voltas sem me preocupar com que me possam criticar. Jogo na roda da vida com truques que acabo por aprender das vezes que perdi e não consegui.
Um pouco o percurso de todos.
E jogo na lição da vida e à volta de todos e ninguém.
Procuro no meio de todos o que para mim pode ser útil. O resto? O resto não faz parte de mim. Do meu sonho. Do meu projecto ainda por acabar.

Ando perdido na selva. De sentimentos. A minha que está intacta e é ainda um corpo fechado. Entre terra e ramos e fontes como quem fala de um corpo, membros e lágrimas, renasço a cada dia sem me redescobrir.

E é assim que eu sou. Como eu quero ser. Surpreender-me e superar-me como o sol em todas as manhãs e a lua em todas as noite.
Intacto.
Ando escondido na minha selva. De sentimentos.
Paixões e ferimentos.
Sorrisos passageiros.
Olhos transparentes.

Ando até sempre na minha selva de sentimentos.
E permaneço
Intacto...


quinta-feira, 4 de março de 2010

As mãos sobre o meu rosto



Sofro sozinho
Esta dor sufocada...
Esta angústia mal fadada.
Sofro chorando
Este sonho inacabado.

Pego na vida...
Na minha mal usada.
E sigo indiferente
Na estrada sem sentido...
Dou-me por mim derrotado.

Sofro devagar
Com lágrimas sujas
De sangue que imundo
Lentamente me prende.
E de mágoa me inundo.

Pergunto - Porque?
Não tinha já tudo?
Porquê o meu mundo
Quando eu era tão livre?
Respondo - Falhado!

Sofro para sempre...
As mãos sobre o meu rosto,
Os pés pousados em medo.
Sofro como ninguém
E morro por dentro também.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Voltei




A força diminui...
E diminui ao ponto de a perder.
Caio no chão… sem amparo, sem forças para me levantar.
E fico aqui... no chão...perdido sem forças e sem vontade de as ter de novo.
Na esperança que voltem sem me aperceber
Para voltar a andar como sempre andei...